“Mais do que uma técnica, a aquarela constitui por si mesma uma linguagem. Uma linguagem fundada no ofício – não se pode improvisar um aquarelista – e particularmente apta para exprimir conteúdos líricos, intimistas. São características que a colocam na contramão da arte mais contemporânea, a qual não faz questão de nenhuma dessas coisas. E que, curiosamente, se valoriza hoje por termos negativos. Já não se diz que determinada obra é boa porque concerta, e sim porque tensiona; não mais porque responde, e sim indaga ou questiona; não porque soluciona, mas porque problematiza.
Com isso, aquarelistas se tornaram os resistentes de uma concepção do mundo, um mundo mais apolíneo e equilibrado, no qual a arte tem deveres (ainda) para com a chamada beleza. Reconhecê-lo não é desfazer de nenhuma outra tendência mais contestatória. Há vinte e cinco anos Sérgio Guerini, então um jovem pintor em início de carreira, se transformou num desses resistentes.” Olívio Araújo
Sérgio Guerini nasceu em Santo André, São Paulo, estudou pintura e gravura com Sérgio Fingermann e aquarela com Ubirajara Ribeiro e Selma Daffré.
Catálogo da Exposição