De 28 de Janeiro a 24 de Fevereiro
José D'Alexandre, Cardoso & Rocha
Companheiros de viagem
Exposição coletiva tendo como mote a vida e obra de José D’Alexandre que aqui pretende fazer um exorcismo da arte que sempre o acompanhou, rodeado pelos amigos que sempre estiveram a seu lado. Um hino
à vida, ao humor por vezes negro e ao tempo que tem corrido ao sabor das convicções e sonhos destra troika que sempre procurou algo impossível.
Catálogo
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João Vaz de Carvalho
"Nasci no Fundão em 1958. A casa do meu avô era enorme e no quintal, cheio de cerejeiras, fartei-me de brincar com os meus irmãos. Havia os bichos simpáticos - cães, gatos, coelhos, galinhas e pintaínhos, e pardais que tinham o dom de adocicar as ginjas - e havia os antipáticos - aranhas gordas, lagartas peludas, minhocas enormes, escaravelhos da batata, bonitos, às riscas, que faziam mal às ditas. Nos Invernos era a neve, causadora de insónias, pois tinha o mau costume de cair à noite e o som da neve a cair não se pode imaginar, tem que se escutar. Lembro-me dos pêssegos e das paisagens que a minha mãe ainda hoje pinta. Lembro-me da paixão pela música do meu pai. E da do meu avô que tinha a forma de uma banda. Encostado ao balcão da loja de solas e cabedais de que recordo ainda hoje aquele cheiro característico, copiava músicas dias a fio, com esferográficas BIC, azuis e vermelhas, para bandas inteiras. Já tarde percebi de que forma perdurável todas essas e outras emoções me tinham marcado. Vivendo admirado, dei comigo chegado ao destino improvável de me tornar eu próprio um cultivador adulto desses prazeres. Entre eles, o humor, um prazer extraordinário.
Tenho um amigo que diz que o humor salva e que eu, tendo-o feito descer às profundezas de mim mesmo, já estarei salvo. Veremos. A verdade é que, como sou incapaz de olhar esses prazeres com nostalgia, tomei a decisão de vivê-los todos os dias, regando-os diariamente e tentando divertir-me o mais possível. Percebi que, com trabalho, os desenhos dos lápis e as cores das tintas, conseguem propagar essas aventuras saborosas, sejam elas passadas ou de agora. Ao fim e ao cabo, e sem me dar conta disso, acabei por coleccionar as peças de uma espécie de Meccano de vivências, com as quais julgo que estou finalmente pronto para construir o que quiser.
E sinto-me capaz de erguer um mundo com sentido. Lá, além de mim, existem três habitantes permanentes, uma mãe e duas filhas, rodeadas por um universo de sensações que as está a marcar para sempre como aconteceu comigo. São incondicionais desde o primeiro dia e só elas tornam este universo inteiro."
João Vaz de Carvalho
Out 2005
Galeria Municipal de Arte
Criada em 1996, mais precisamente na Praça Raimundo Soares, no Centro Histórico da Cidade, a Galeria Municipal de Arte constitui mais um espaço de promoção cultural.
Desde então, tem vindo a promover exposições periódicas, com o objectivo de divulgar o trabalho de artistas nacionais e estrangeiros, mostrando a todos os que a visitam, exposições de excelente qualidade nas mais variadas áreas de criação.
Para saber quais as exposições patentes na Galeria Municipal de Arte, consulte a nossa Agenda Cultural.
Exposições e Venda ao Público
Visitas Gratuitas
Horário
Terça-feira a Sábado, das 10H00 às 12H30 - 14H00 às 18H30.
Encerra Domingos, Segundas e Feriados
Galeria Municipal de Arte
Praça Raimundo Soares
2200 - 366 Abrantes
Tel. 241 330 209
e-mail: galeria.arte@cm-abrantes.pt
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